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Pesquisas destacam o papel da espiritualidade na prevenção e no tratamento de dependentes químicos

publicado: 11/06/2019 16h20, última modificação: 06/11/2019 18h39
Psiquiatra da Universidade Federal de Juiz de Fora apresentou diversos estudos sobre a relevância das instituições religiosas na recuperação de usuários de drogas

Brasília - A religião e a espiritualidade são pilares para a melhoria da qualidade de vida dos dependentes químicos e servem para afastar jovens e adolescentes das drogas. Foi o que defendeu o professor do Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), o psiquiatra Alexander Almeida Moreira, nesta terça-feira (11), durante o Seminário Intersetorial de Prevenção, Conscientização e Combate às Drogas, em Brasília (DF).

Durante sua apresentação, o pesquisador apresentou vários estudos sobre como a religião tem papel de destaque no apoio às pessoas que já utilizaram algum tipo de droga. Um deles mostrou que, nos Estados Unidos, cerca de 9% da população já teve algum problema com entorpecentes e que quase a metade desse número conseguiu superá-lo com apoio de grupos de ajuda mútua e outros 27% procuraram entidades religiosas. "A grande mensagem que fica é a abertura de um repertório de opções de tratamento que deve ser ofertado à população. Cada pessoa vai se adequar a uma. O que nós defendemos é uma abordagem bio-psico-socio-espiritual, ou seja, abordar todos os aspectos do paciente, de modo integrado", explicou.

O psiquiatra também apontou uma pesquisa brasileira com 12 mil universitários que verificou que aqueles que participavam de um grupo religioso tinham metade das chances de ter utilizado drogas no último mês. "A espiritualidade é um aspecto importante para a população, um dos maiores fatores protetores e que é útil no tratamento para grande parte dos pacientes", destacou Alexander Moreira. Ele ressaltou que as comunidades terapêuticas e os grupos religiosos sofrem ainda muito preconceito, mas que podem ser reconhecidos como um case de sucesso, exemplo da Pastoral da Saúde, que contribuiu para uma mudança de cenário no Brasil.  "Elas criam um ambiente de prevenção com a aquisição de habilidades sociais, modelo de comportamento saudável, senso de sentido de existencial, e valores que promovem a vida, os vínculos familiares e a ausência de substâncias."

A presidente nacional da Federação de Comunidades Terapêuticas Católicas, Ana Godoy, relatou que iniciou seu trabalho em Governador Valadares (MG) após descobrir que os dois filhos eram usuários de drogas. Segundo ela, o apoio veio da Pastoral da Sobriedade. "Ao me reequilibrar, consegui salvar meu casamento e auxiliar no tratamento dos meus filhos", contou. Hoje, a iniciativa tem mais de 1,4 mil grupos de ajuda cadastrados e contabiliza mais de 700 mil pessoas recuperadas. "A espiritualidade é um dos pilares da recuperação, baseada também na saúde e na ciência", afirmou. "Quando o dependente químico, com o apoio da religião, percebe que a vida não é somente a droga, que temos outro caminho, ele consegue ter mais forças para se manter em abstinência."

Leia mais notícias sobre o Seminário Intersetorial de Políticas Sobre Drogas

*Por André Luiz Gomes

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