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OPERAÇÃO ACOLHIDA

Operação Acolhida: 77 migrantes venezuelanos chegam em Brasília nesta quinta-feira (31)

publicado: 31/10/2019 01h00, última modificação: 01/11/2019 11h59
Em nova etapa da operação, cresce número de cidades que acolhem venezuelanos, após parceria do Ministério da Cidadania com a CNM. Governos federal e municipal custeiam voos fretados

Brasília – Ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Brasília, a venezuelana Maria Del Pilar Rondon, de 51 anos, trazia nos olhos, além das lágrimas, a saudade dos filhos e a esperança de reconstruir a vida em solo brasileiro. Maria é um dos 77 migrantes venezuelanos que chegaram à capital federal nesta quinta-feira (31), trazidos pela Operação Acolhida, iniciativa do governo federal.

Nos últimos meses, Maria Del Pilar estava em Boa Vista (RR), à espera da vinda para o Distrito Federal para se encontrar com os três filhos e a neta, que chegaram à capital há quase um ano. Depois de largar casa e trabalho como funcionária pública em seu país, a venezuelana, que veio acompanhada da sobrinha, Ruth Maria Rondon, disse, emocionada, que seu principal objetivo é ser feliz junto da família que a grave crise no país vizinho separou. “Quero dedicar minhas forças à minha neta e a meus filhos. Por isso, não quis ficar lá. Ficar na Venezuela é ficar só e por isso decidir começar de novo”, contou.

Luís Valdiviezo, de 30 anos, preferiu não deixar ninguém para trás. Veio para o Brasil com a esposa, Aleanyis Meneses, de 26 anos, e os três filhos. Eles foram acolhidos em Brasília e nos próximos dias seguem para Carvalho (MG), onde já têm residência, escola para os pequenos e emprego garantido. “De verdade, nunca pensei que receberia tanto apoio, tanta compreensão e nós estamos muito agradecidos com a família brasileira”, disse Luís.

O processo de interiorização dessas pessoas, como é chamada a transferência de Roraima para cidades de outras unidades da federação, faz parte da Operação Acolhida, coordenada pela Casa Civil da Presidência da República, com o apoio do Exército Brasileiro, do Ministério da Cidadania e das Agências da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Refugiados (Acnur) e para as Migrações (OIM). A iniciativa tem como objetivo promover a inclusão socioeconômica dos venezuelanos que chegam a Roraima.

Esta etapa da Operação Acolhida conta com fretamento de voos custeados pelo governo federal e o reforço de diversos municípios, após a assinatura de uma parceria do Ministério da Cidadania com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) para ampliar o número de cidades que apoiam a interiorização de venezuelanos.

Segundo a assessora especial para Assuntos de Migrações do Ministério da Cidadania, Niusarete Lima, o governo federal tem ampliado as estratégias para encaminhar as pessoas para os municípios e garantir uma melhor qualidade de vida para essas pessoas. “Estamos ampliando a estratégia de interiorização. Em determinado momento, só estávamos transferindo as pessoas dos abrigos de Boa Vista para abrigos em outras unidades da federação e hoje já fazemos a reunificação familiar, porque é importante que essas famílias estejam juntas. Essa é, inclusive, uma política do Ministério da Cidadania, do Sistema Único de Assistência Social (Suas), que é resgatar vínculos familiares”, explicou a assessora.

Saiba Mais
Para participar das operações de interiorização, os refugiados ou migrantes venezuelanos precisam aceitar participar do processo. A partir de então, é feita triagem para saber quais municípios estão aptos a recebê-los, com oportunidades de emprego ou o apoio de amigos ou familiares que já tenham se estabelecido. Os solicitantes têm toda documentação verificada e, uma semana antes de serem transferidos, passam por uma avaliação clínica, para verificar as condições de saúde, além de recebem imunização completa.
Todos os dias, cerca de 500 venezuelanos cruzam a fronteira com o Brasil. De acordo com a Polícia Federal, cerca de 200 mil venezuelanos vivem em território nacional, o que torna o Brasil o 5º país que mais recebe venezuelanos. A Operação Acolhida já encaminhou voluntariamente cerca de 16 mil refugiados para diversos municípios do País com o objetivo de terem melhores condições de vida.

Por André Luiz Gomes

Assessoria de Comunicação
Ministério da Cidadania

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