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ACOLHIMENTO

Com apoio do governo federal, refugiados e migrantes venezuelanos chegam a Brasília em busca de oportunidade

publicado: 15/10/2019 14h48, última modificação: 01/11/2019 13h40
O grupo tem como destino a capital federal e outras cidades do interior de Goiás, como Jataí, Ceres e Aparecida de Goiânia

Brasília/DF - Os olhos marejados não disfarçavam a emoção. A venezuelana Ambar González, de 39 anos, que está no Brasil desde agosto de 2018, estava ansiosa no saguão do aeroporto de Brasília para receber o irmão Victor Julio González, que não via fazia três anos. Acompanhado pela esposa e as duas filhas, ele estava chegando à capital federal depois de viver por três meses em um abrigo em Boa Vista (RR).

Victor e sua família integraram o grupo de 122 refugiados e migrantes venezuelanos que chegou à Brasília na manhã desta terça-feira (15). Uma parte do grupo, 41 pessoas, permanecerá na capital federal e outras 81 serão direcionadas para Goiânia, Aparecida de Goiânia, Campo Limpo de Goiás, Ceres, Mozarlândia, Jataí e Campinorte, todas no estado de Goiás. O processo de interiorização dessas pessoas, como é chamada a transferência de Roraima para cidades de outras unidades da federação, faz parte da Operação Acolhida, coordenada pela Casa Civil da Presidência da República e que tem como objetivo promover a inclusão socioeconômica das pessoas que chegam ao Brasil pela fronteira da Venezuela com o estado nortista.

O Ministério da Cidadania é responsável pela coordenação de dois subcomitês no âmbito da Operação: o de Interiorização e o de Acolhimento. Também participa do Subcomitê de Triagem na fronteira de Pacaraima (RR), onde mantém uma equipe que faz o atendimento socioassistencial. Segundo a assessora especial para Assuntos de Migrações do Ministério, Niusarete Margarida de Lima, as ações têm contribuído para dar nova perspectiva de vida a essas pessoas.

"Essa interiorização é para que se consiga amenizar a situação tão grave que se está vivendo lá em Roraima. Ainda há 7 mil pessoas que estão ocupando 13 abrigos, e cerca de 2 mil pessoas em situação de rua, necessitando de abrigo”, informa. “Essa estratégia da Operação Acolhida é importante porque se está oferecendo a essas pessoas a possibilidade de resgate da autoestima, para que elas possam retomar a vida e oferecer condições dignas de vida a suas famílias. É um resgate de cidadania e esse é o papel do Ministério da Cidadania", conclui.

Acolhimento e tratamento

A história de Ambar González é comovente. Ela deixou a Venezuela com o marido e o filho, que estava com câncer, em busca de tratamento e de melhores condições de vida. Ao chegar a Boa Vista, teve de dormir na rua durante uma semana, até que foi transferida para um abrigo. Dois meses depois, já estava sendo interiorizada e transferida para Brasília. Hoje, o marido está empregado e, após o tratamento, o filho se recuperou. Ela também trouxe a filha, Brenda González, de 19, que estava grávida e cuja filha, Luciana Pappaterra, nasceu no dia em que chegaram ao Brasil. Brenda e o marido, que foram campeões nacionais de Tae Kwon Do na Venezuela, já estão em Brasília há 3 meses, trabalhando com o esporte.

Como o irmão estava na Colômbia com poucas perspectivas, Ambar fez de tudo para reunir a família. Após voltar para a Venezuela, Victor veio para o Brasil. Depois de três meses em Boa Vista, ele, a mulher e as filhas conseguiram ser trazidos para Brasília, onde ele já tem emprego garantido. “Nós fomos muito ajudados por meio do programa de interiorização. Graças a Deus, agora também chegou meu irmão e sua família. Eu disse a ele que poderia ajudá-lo, que poderia ajudar a abrir as portas aqui. A gente dá um jeito”, conta Âmbar. Para Victor, é uma emoção poder recomeçar a vida. “Eu estou muito agradecido pela oportunidade de ajuda que o governo brasileiro nos deu. A acolhida está sendo muito especial, da gente brasileira. E também estou muito, muito agradecido de reencontrar minha irmã”, conta ele.

Triagem e avaliação

Para participar das operações de interiorização, os refugiados ou migrantes venezuelanos precisam aceitar participar do processo. A partir de então, é feita triagem para saber quais municípios estão aptos a recebê-los, com oportunidades de emprego ou o apoio de amigos ou familiares que já tenham se estabelecido. Os solicitantes têm toda documentação verificada e, uma semana antes de serem transferidos, passam por uma avaliação clínica, para verificar as condições de saúde, além de recebem imunização completa.

Desde abril de 2018, mais de 16 mil venezuelanos já foram levados para municípios de outros estados brasileiros, com o apoio do Governo Federal e das Agências da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Refugiados (Acnur) e para as Migrações (OIM).

Ainda nesta terça-feira, um voo com destino a Canoas, no Rio Grande do Sul, fez a interiorização de outros 45 venezuelanos, sendo que quatro permanecerão no município. Os demais serão realocados em Esteio, Sapucaia do Sul, Nova Petrópolis, Caxias do Sul e Porto Alegre.

Todo o Brasil

No início de abril, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, assinou um termo de cooperação com a Confederação Nacional dos Municípios para ampliar o número de cidades que apoiam a interiorização de venezuelanos. Segundo Niusarete Lima, se cada um dos 5.570 municípios brasileiros recebesse pelo menos um refugiado ou migrante, os abrigos seriam quase que totalmente esvaziados e ofereceriam oportunidade para que as pessoas que estão na rua ou que chegam ao País a cada dia, cerca de 200, sejam também atendidas. “Essa não é uma pauta só do governo de Roraima, é uma pauta todo Brasil”, conclui.

 

*Por Roberta Ribeiro
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cidadania
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