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Bibliotecas públicas do Pará mostram que é possível unir cultura e meio ambiente para gerar cidadania

publicado: 06/06/2019 00h00, última modificação: 04/11/2019 16h07
Por meio de oficina de joias, de sabão ecológico e da formação sobre agricultura sustentável, projetos ajudam população a gerar renda

 Brasília – Os projetos desenvolvidos pelas Bibliotecas Públicas Municipais Jorge Gomes de Carvalho, de Curralinho (PA), e Wilson Marques, de Tomé-Açú (PA), mostram que a união de cultura, meio ambiente e cidadania tem gerado belos frutos. Por meio de parceria com as Secretarias Municipais de Meio Ambiente, de Assistência Social e da Secretaria Estadual de Agricultura, os programas têm conseguido impactar de forma positiva as comunidades, conquistando novos leitores e trazendo mais cidadania para todos.

Para Ana Maria da Costa Souza, coordenadora do Sistema Nacional de Bibliotecas, da Coordenação-Geral de Leitura, Literatura e Economia do Livro do Ministério da Cidadania, projetos como esses mostram que as bibliotecas são polos de inclusão em muitas cidades brasileiras. “As bibliotecas públicas têm um papel vital na disseminação de conhecimento e informação sob a perspectiva da acessibilidade e inclusão social”, disse.

Açaí, cipó, criatividade e cidadania

Impulsionada pelo programa Conecta Biblioteca, da ONG Recode, Mycnamara Moraes da Silva Ribeiro, coordenadora da Biblioteca Municipal Jorge Gomes de Carvalho, de Curralinho, cidade localizada na Ilha de Marajó, fez uma pesquisa junto à comunidade para entender quais eram suas necessidades. A maioria dos jovens mostrou interesse em receber formação e capacitação em alguma atividade que os ajudasse a gerar renda. Dessa necessidade, nasceria o projeto Deu Boto na Biblioteca – Transformação Social Através das Bibliotecas, que oferece cursos de capacitação para a fabricação de biojoias e sabão ecológico.

“Nós fizemos uma parceria com as Secretarias de Meio Ambiente e de Assistência Social do município para conseguir realizar o projeto. No ano passado, capacitamos 30 jovens ao longo de duas semanas”, explicou a coordenadora. Para a produção das joias, eles precisaram ir até as matas da região, catar as sementes de açaí, o cipó, e aprender a limpá-los, tudo dentro das regras do manejo sustentável. “Foram produzidas cerca de 300 peças, que depois comercializamos no Festival do Açaí. Até hoje, cerca de 50% dos jovens que participaram do projeto ainda estão produzindo. Agora, estamos estudando formas de renovar as oficinas para manter todos engajados”, contou Mycnamara.

De acordo com o ministro substituto da Cidadania, Lelo Coimbra, cuidar do meio ambiente “é um compromisso de cidadania, estejamos onde estejamos”. Ele foi um dos convidados para a sessão especial em celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente, no Senado Federal, nesta quinta-feira (6). “Precisamos proteger o meio ambiente e passarmos para as próximas gerações a ideia de que somos responsáveis por cuidar do planeta”, concluiu Coimbra.

Agricultura sustentável

Foi pensando em manter a agricultura de subsistência, principal atividade da região, e em trazer os agricultores e seus filhos para dentro da biblioteca, que Elanir Fernandes Cardoso, coordenadora da Biblioteca Municipal Wilson Marques, de Tomé-Açú, criou o projeto Biblioagrorural. A proposta ofereceu ciclo de oficinas e palestras sobre manejo sustentável para agricultores das comunidades de Tabocal Ponte e Mariquita Rosário, na zona rural do município.

Para ensinar as técnicas que a população necessitava, Elanir também teve que fazer parcerias, e foi até a Secretaria Estadual de Agricultura. “Eles nos cederam técnicos para auxiliar na formação da comunidade”, relatou. Na primeira etapa do projeto, a equipe foi até as comunidades para aulas práticas com os agricultores. Já na segunda etapa, os beneficiados tiveram que ir até a biblioteca para a continuidade das oficinas.

“Com isso, nós conseguimos trazer os agricultores e seus filhos para dentro da biblioteca, o que não é muito comum. Nós mostramos a eles que temos informações que são importantes e que eles podem vir até nós para se orientar e melhorar suas práticas”, afirmou a coordenadora do projeto.

Como resultado, além do aumento da produtividade e preservação do meio ambiente, a biblioteca acabou construindo a própria horta, onde os alunos das escolas públicas agora têm aulas de educação ambiental. “Muitos jovens da zona rural não tinham perspectiva, achavam que ficariam ali para sempre. Agora, eles sabem que, se quiserem continuar com a atividade agrícola, podem estudar e se especializar para obter resultados bem melhores.”

Premiação

E os resultados não param por aí. No ano passado, as duas iniciativas foram premiadas entre as dez melhores do projeto Conecta, que busca a transformação social por meio das bibliotecas públicas municipais. Uma prova de que as bibliotecas podem atuar como mobilizadoras de mudança em suas comunidades e que sua função vai muito além de guardar livros.

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania